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Guto Indio da Costa expõe na Design Week de Milão

Guto Indio da Costa é o profissional premiado que dirige os núcleos de design e transporte da Indio da Costa A.U.D.T (Arquitetura, Urbanismo, Design e Transporte).

Durante a Semana de Design de Milão, de 4 a 9 abril, ele apresentou ao público do Fuori Salone (a concorrida exposição paralela à feira) a cadeira Serelepe.

A peça foi selecionada pela Rio+Design (iniciativa organizada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, com apoio do Sebrae) para participar da mostra Be Brasil, promovida pela Apex-Brasil.

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Da esquerda para direita: Denise Brito (diretora do Itália em Português), Guto Indio da Costa (diretor da A.U.D.T), Dulce Ângela (subsecretária de Desenvolvimento Econômico do Governo do Estado do Rio de Janeiro) e Paula Acosta (jornalista).

Ele é o “pai” do VLT. Ou seja, do Veículo Leve sobre Trilhos, que liga a região portuária do Rio de Janeiro ao centro financeiro da cidade e ao aeroporto Santos Dumont. Também são de sua autoria outros projetos inovadores como o ventilador de teto IC/Air, a banheira eletrônica Smarthydro, a linha de refrigeradores GE Imagination.

Em um momento de pausa na sua agenda, ele conversou com a diretora do Itália em Português, Denise Brito.

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IEP- De quantas edições do Salão Internacional do Móvel você já participou?

Guto – Há muitos anos eu venho ao Salão de Móvel e, há nove, participo da edição milanesa da Rio+Design, uma iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio de Janeiro, realizada no circuito conhecido como Fuori Salone. Iniciamos no Palazzo dei Giureconsulti, um belo edifício perto do Duomo; depois mudamos para a zona Tortona, que tem um perfil bem alinhado com o Rio e onde sempre tivemos um grande número de visitações. Este ano, eu e os demais profissionais que representam a Rio+Design participamos da mostra Be Brasil, promovida na Università degli Studi di Milano pela Apex-Brasil. Desta vez, foram reunidas 14 criações de profissionais fluminenses, mas já chegamos a trazer mais de 100 peças para expor nos anos anteriores, representando mais de 50 designers do Rio.

Guto Indio da Costa

Guto Indio da Costa

IEP – Fale um pouco sobre o seu novo produto que está em exposição aqui. Que tipo de inovação apresenta?
Guto – Temos trazido, durante esses nove anos, um pouco de tudo: de forno elétrico a ventilador de teto, mas temos focado também em mobiliário, que é o tema central do Salão. Em 2017, a grande novidade que trouxemos para cá apresenta um desenho bem brasileiro: é a cadeira Serelepe. É um objeto em polipropileno injetado a gás, uma tecnologia que a deixa muito delgada e resistente. Não é uma cadeira pretensiosa; eu diria que seu desenho é feito para o universo brasileiro.

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IEP – O uso de novas tecnologias encarece os produtos?

Guto – O design brasileiro, infelizmente, ainda é muito artesanal e pouco industrial. Por isso, ainda é muito restrito a um grupo de pessoas com o poder aquisitivo, conhecimento, cultura.

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IEP – Você é um designer industrial. Que metas ainda deseja alcançar na sua profissão?

Guto – Eu realmente venho de uma formação industrial, eu desenho peças que são fabricadas em larga escala: fogões, geladeiras, lavadoras, enfim, todo tipo de produto. A cadeira Serelepe é um exemplo disso: realizada através de um processo industrial, ela é fabricada aproximadamente em três minutos, a um custo extremamente acessível. O meu desejo é transformar o design em algo cada vez mais democrático, principalmente no Brasil, que tem uma grande parte da população que vive com uma renda muito baixa. Bom gosto e design não precisam ter ligação com o alto custo; pelo contrário, aplicando os processos de maior escala, os custos se reduzem e os produtos podem ser mais acessíveis, essa é a grande beleza do design. E’ a isso que tenho me dedicado e creio que tenho conseguido fazer, trazendo a Serelepe para Milão, por exemplo.

IEP – A propósito, esse é um nome muito simpático. Por que Serelepe?

Guto – Porque não é uma cadeira pretensiosa (ndr: diz sorrindo); ela pode ser usada dentro de casa ou em área externa; é uma cadeira para o dia a dia. Ela é muito leve, tem uma linha dinâmica e é empilhável. Se não fosse uma cadeira, seria um animal em movimento, tipo uma gazela correndo.

IEP – Que conselho você daria para os jovens designers? Especialmente para os que estão começando, que possuem um potencial enorme, mas estão inseguros porque desconhecem o mercado?

Guto – No Brasil, a nossa profissão conseguiu dar um salto enorme; eu vejo hoje uma efervescência de produtos, principalmente no setor de móveis. Temos um cenário rico, com muitos talentos, uma produção bem maior, bem mais pungente do que foi, além de muito mais maturidade e consistência. Vários são os designers com trabalhos de qualidade. E’ importante ter perseverança. O Brasil é um país de oportunidades, apesar de termos ainda muitas dificuldades. A um jovem designer, digo: esse exercício continuo de conceber, de tentar produzir, é isso que vai fazer a grande diferença. Não perca tempo discutindo muita coisa; essa é a hora de fazer e, desse jeito, eu acho que você vai encontrar seu espaço.

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Denise Brito, diretora do Itália em Português, e Guto Indio da Costa.

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